sexta-feira, março 03, 2017

FORMAÇÃO

Vejo um sinal amarelo se acender quando leio uma análise que aponta como um defeito (por exemplo) as referências numerosas e a prosa cansativa do autor. Às vezes há fundamento, claro, mas nem sempre o problema está no livro. A diferença entre o hermético e aquilo que a gente ainda não consegue alcançar nem sempre é visível. 

Até certa idade, nosso único objetivo é engolir o máximo de informações processadas a fim de vomitar tudo no vestibular. A busca genuína é uma ideia ultrapassada. Abandonamos a ideia de formação.
Porque, ao contrário do que se pensa, a dedicação aos livros raramente admite a ideia de superioridade. Ela exige que a gente reconheça as dimensões da nossa limitação.

Pequenos trechos de um belo texto escrito pela von Holdefer.

domingo, fevereiro 19, 2017

FOR ALL WE KNOW, THIS IS A ONE WAY TRIP

My life felt stuck. So I decided to run. It was my natural response. I just wanted to get away. I laced my shoes and started running — by the time I came back, I felt tired and energized at the same time. I knew I was on to something.
Every time life became difficult I would give up. When I wanted to travel the world after college, I decided that I did not have money — so I told myself I should save money. Years passed, and that round-the-world trip never happened — I was scared to be away from home for a long time.
Now, when life is difficult, my response is different — I love the pain and struggle instead of shy away from it. I owe this to running.
And the best thing about running is that is easy to start. You just go. You decide when, where, and how fast.
To me, running is exactly as life. It’s hard, you do not always want to do it, summers are better than winters, and you feel better when you have new shoes. But it’s worth it. After the pain comes happiness, both in life and in running. That’s why my life is moving forward again — I’ve never stopped running for a day. You should try it too.
Daqui.

Isso tudo pra introduzir a notícia: me inscrevi numa maratona pra esse primeiro semestre.

sábado, fevereiro 04, 2017

SCRUTON


domingo, janeiro 15, 2017

PELO PRIMEIRO POST DE 2017

um Soares Silva, de muitos anos atrás, só pra relembrar:

Não acredito em "viver a vida intensamente". Acho tanto o conceito quanto a expressão um tanto bregas. Pra começar, sempre que se diz isso o sujeito era drogado ou bebia até o ponto de chutar bandejas das mãos de velhinhas. Não. Prefiro viver a vida suavemente, obrigado. Ser gentil e tirar soneca no meio da tarde. Ler um bocado.Sou um recluso (quase). Meu maior prazer é poder passar um dia sem falar com absolutamente ninguém. O telefone toca, e estou há tantas horas sem falar que a mandíbula abre com dificuldade, com estalo.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

MÚSICA EM 2016

Faltou a paciência de anos anteriores para vasculhar, ouvir e encontrar os bons álbuns, que devem ter havido, mas que eu não achei nesse ano. Na realidade achei, mas não em quantidade e mesmo qualidade de anos anteriores.
Ao longo de 2016 os serviços de streaming, as rádios do tunein e o mixcloud praticamente monopolizaram minha audiência musical, salvo quando do lançamento do recente Radiohead, e algo que a memória não me recorda mais. Muita erudição sonora na Swiss Classic, excelente pra leigos em música clássica como eu. Um bocado de Rádio Elétrica em ocasiões onde o prato que ela serve não era de todo mal. E o meu bem alimentado feed do mixcloud resumiram o muito que foi escutado.
Apressadamente tentei encontrar nas listas de melhores do ano de variados sítios algo que pudesse se transformar em alguma bela descoberta. Não foi em vão, os álbuns desse ano de Ina Forsman e Michael Kiwanuka podem formar esse meu pobre pódio de melhores de 2016 junto com A Moon Shaped Pool que também é ótimo.

segunda-feira, novembro 28, 2016

ELAS (AS FELIZES) AGEM

Se existe um denominador comum nas (consideradas) pessoas felizes é este: elas agem. Atuam sobre a realidade, produzem, criam a si mesmas. Quando dizem “vou fazer isto”, fazem. Quando se propõem a estudar uma coisa ou a organizar uma festa, isto acontece. São causa e consequência – autores da própria história pessoal.
Aplicando o raciocínio contrário, é fácil perceber que os infelizes são aqueles que não agem (e diria Plotino, tudo que é, age). É comum observar nestas pessoas características como paralisia, reclamação, tédio, ansiedade, adiamento, desordem. Cada um à sua maneira, infelizes são ótimos em repetições existenciais e dominam como poucos o modo de vida passivo auto-indulgente. 
Quem quer que queira ser feliz precisa fazer algo. A começar pela posse de si, pela integração do eu, até chegar à colaboração consciente na realização de um Estado de bem-estar: o apogeu coletivo depende desta apropriação individual do dever de agir (e agir, antes de política, anímica e existencialmente).

Mudança: aí está o problema. Num geral – e não precisa ser muito vivido para isso – as pessoas não querem mudar. Aquelas instalações assumidas na infância e adolescência reverberam por toda a biografia. A maioria de nós não confessa, mas é um tipo de Medusa: petrifica tudo o que abarca com os olhos. Toda abertura e alteração é uma espécie de destruição de uma pesada construção (que não foi feita para aceitar reformas).
Costumo dizer em aulas e cursos que a intensidade vital está diretamente ligada a esta abertura de alma que não só permite como deseja a alteração. Está vivo quem muda. Anote isso. Guarde isso. Se existe uma característica no corpo morto é justamente a rigidez: a frieza endurece, tirando toda a mobilidade e transformação que expressa vida.

Quanto mais complexa a realidade a que somos obrigados escolher, mais difícil enxergar a clareza do sim ou do não. Uma coisa é saber se vou almoçar agora ou depois, avaliando o tamanho da minha fome no momento. Outra é aderir a um projeto de vida, tomar outro rumo biográfico, suspender uma trajetória. Em poucas palavras, a vida humana – aquela que se diferencia substancialmente da animal – raramente se desenvolve nas extremidades (a verdade ou a mentira, a beleza ou a feiura):  é um acontecer de verossimilhança, possibilidades e algumas (muito poucas) certezas.

Bons trechos de Tiago Amorim, no seu A Vida Humana.

sexta-feira, setembro 30, 2016

CADÁVERES ADIADOS

do Avenida Paulista, de João Pereira Coutinho.

terça-feira, agosto 30, 2016

FOME II

Se consumimos de tal forma, como nunca aconteceu comigo mais (nem espero que aconteça, sinceramente: tinha muitos anos menos e tava absolutamente faminto por ti), nem antes nem depois.

domingo, agosto 14, 2016

FOME

É bom estar sentindo isso por alguém. A vontade de consumir esse alguém. Desejar cada traço do corpo, inspirar até o pior cheiro.