domingo, agosto 14, 2016

FOME

É bom estar sentindo isso por alguém. A vontade de consumir esse alguém. Desejar cada traço do corpo, inspirar até o pior cheiro.

quarta-feira, agosto 03, 2016

THE LONG GOODBYE*

Exagerando, me estarrece a quantidade de tempo desde que escrevi nesse espaço pela última vez. 26 de fevereiro já se foi faz muito.
Vou tratar de, como até exercício além de mera prática, voltar aqui em períodos mais curtos daqui em diante. O plano a que me proponho nessa quarta, dia 3**(***), provavelmente resultará nesse efeito, sem querer soar PNL demais.


Adição de textos 1h depois:
Notei que com esse post superei a marca das minhas publicações do ano passado. Eram 4. Pergunto: como é que pode?
O flickr segue sem poder migrar fotos entre contas ou poderei unir minhas imagens todas numa só conta, além de poder subtrair vários links do menu ao lado?

*título de um policial noir de 1973 do Robert Altman, cujo torrent eu acrescentei a minha lista fazem alguns meses, mas que ainda não completou o seu download. Deve ser ótimo.
**adiado posteriormente para o dia 5.
***sofrendo na sequencia novo adiamento para o término dessa semana, mui provavelmente. Um ciclo infindável.

sexta-feira, fevereiro 26, 2016

THNX JD

Hoje, atualizando o feed do Mixcloud, encontro o episódio seiscentos do show semanal de John Digweed. Admito aquela sensação agradável de orgulhosamente se sentir parte do clube que ouve o que esse cara disponibiliza para apreciação (consumo) na web em regularidade e frequência admirável.
Ele transmite o Transitions. O restante dos podcasts seguem todos num embalo coadjuvante, porém em nada depreciativo. Ouço um bocado de outros artistas ótimos. Só enfatizo que, não importando o convidado, o programa possui uma autoridade em elegância e refino musical no gênero eletrônico, que protagoniza-o acentuadamente.
Nesse último, o episódio 600, quando citou a legião de apreciadores do seu trabalho, ele me chamou de loyal. Sou mesmo. E muito agradecido às incontáveis horas embaladas sob seu rico arsenal de produção e critério musical. Como é bom ter a disposição tão rigorosa qualidade sonora de maneira tão fácil de se usufruir.
Sobre o episódio 600, ele é pesado e denso. Impossível ignora-lo. Ele não faria nada inferior nessa data.

sexta-feira, janeiro 29, 2016

TENNIS

Teimo em considerar o tennis atividade habitual. Deveria praticar espaçadamente, duas ou três vezes ao mês, no máximo semanal. E joga-lo apenas sob condições ideais, se não de atmosfera, de quadra.
Só assim obtenho o prazer que ele proporciona de se pratica-lo. Contrária a atividade inniterrupta, longa e constante da corrida, o tennis deve ser utilizado para degustação descansada, apressada apenas em algum rally ou busca por bola de maior dificuldade.
Tudo isso só pra não deixar de mencionar que a tardinha, embaixo de razoável chuva sobre o saibro, joguei uma das minhas mais prazerosas (e de boa performance) partidas de tennis até hoje, ao lado do Velho Adversário de Sempre, perdi. Com muito deleite.

sexta-feira, janeiro 22, 2016

DESCOBERTA

Arrasado, ao descobrir que o litro de cerveja havia sido esquecido fora da geladeira desde a última vez que se serviu. Lutando contra a alta temperatura externa e a pobre condição do refrigerador, não poderia ter cometido esse erro. O aumento da temperatura da garrafa e a impossível obtenção da condição de resfriamento anterior despertavam-no a cólera.
[continua...]

sábado, janeiro 02, 2016

A MÚSICA NO 2015 QUE SE FOI E TAMBÉM UM DOS ACHADOS DO ANO

Meu ano foi pobre musicalmente. Não gostei o suficiente de albúm algum pra mencionar aqui. Nada comparado ao 2013 recheado, ao 2014 de War on Drugs e Future Islands. 2015 foi, no entanto, o ano do Mixcloud.
A dispensa de ficar a procura dos arquivos para se ouvir, a delícia de versão para mobiles e o endereço via browser, os uploads constantes, a biblioteca enorme, o streaming de qualidade e segue. O Mixcloud transformou o 2015 em um ano musical como eu não experimentava desde a década passada, proporcionou um ano de som eletrônico em especial, mas também de outros gêneros, com aquela fina qualidade encontrada em locais especiais. O Mixcloud é um desses.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

DOIS MIL E QUINZE LITERÁRIO SEM PONTUAÇÃO

a negação da morte seguida de luz em agosto obras já esquecidas aqui e ali e atualmente utilizando contos da alice munro num recém adquirido kindle com luz de fundo que eu deveria ter comprado há anos pra me livrar da encheção de saco das correções do franzen e respirar um pouco da salutar injeção de civilidade após a ruína toda de se dar conta da imundice onde estamos metidos pelo texto do dalrymple o maior achado desse 2015 que eu não posso me queixar fazia muito não lia tanto

terça-feira, dezembro 15, 2015

SENTIMENTALISMO TÓXICO

Outro dia, conversava eu com um amigo esquisito, historiador, portanto, esse tipo de pessoa que pensa "a longo prazo". Ele descreveu o que eu consideraria uma imagem de pura escatologia apocalíptica: um dia alguém vai declarar que ir ao banheiro é uma forma de repressão, e, portanto, vão inventar um movimento contra a opressão de ter que usar banheiros. "Que a rua seja o meu banheiro!" 

A tipologia contemporânea de comportamentos tem crescido assustadoramente. O inteligentinho todo mundo conhece: é o tipo de pessoa que acha que problemas como o do Oriente Médio se resolveriam com um ciclo de cinema e debate sobre filmes que narram a vida de mulheres fazendo bolos ou crianças jogando futebol.

Pondé citando as "pessoas que pensam a longo prazo". Quem não (con)vive cercado delas?

quarta-feira, julho 15, 2015

EU TE AMO

Por mais frio, reprimido ou sexista que meu pai pudesse parecer pelos padrões contemporâneos, sou-lhe grato por nunca me ter dito com todas as letras que me amava. Meu pai adorava a privacidade, o que significa: ele respeitava a esfera pública. Acreditava em reserva, protocolo e razão, pois, sem tais predicados, ele achava que seria impossível à sociedade debater e tomar decisões que melhor atendessem a seus interesses. Teria sido bom, sobretudo para mim, se ele tivesse aprendido a demonstrar mais seu afeto por minha mãe. Mas cada vez que ouço pais e filhos gritando seus eu-te-amos no celular, sinto-me um homem de sorte por ter tido o pai que tive. Ele amava os filhos mais que tudo. E saber que ele sentia isso mas não conseguia expressar em palavras; saber que ele podia confiar que eu sabia disso e não tinha expectativa de que ele declarasse seu amor: aí estão a essência e a substância do amor que eu sentia por ele. Um amor que eu também, da minha parte, tive o cuidado de nunca lhe declarar.

Página 56 de "Como ficar sozinho", do Jonathan Franzen pela Companhia das Letras.