Após periodo nebuloso de desgraças fisicas, sem a possibilidade de realizar exercicio algum, e agora, trabalhando sob a água, sem a possibilidade de correr, se não numa esteira de uma iluminada por demais sala de um deck subterranêo da embarcação, me dispus a elencar os instantes divinos que a corrida, de muito bom grado, me proporcionou. Texto que agradará os adeptos, e causará irritação e constrangimento aos não chegados.
Pra matar a saudade, elenco os três maiores, de uma já interessante fortuna, dessa forma:
3. O sprint da Maratona de Punta del Este
Vislumbrar no horizonte o término da prova e constatar que o corpo ainda possui uma exigua cota de energia, o suficiente para lhe possibilitar acelerar, não especificamente acelerar, mas sair da constância do seu ritmo para um mais veloz. Eis a maravilha: enquanto os demais definhavam nos últimos kms, onde estradas de chão se misturavam com parcelas de asfalto, pude ultrapassar a linha de chegada como comumente se diz, “sobrando”.
2. A Maratona de SP e os seus últimos 4km's
São Paulo foi a maratona escolhida para 2009, em detrimento da capital gaúcha que, sem uma razão aceitavel e concebivel, realiza a sua maratona uma semana antes dos paulistas. Fui até lá e verifiquei o quão ardua se trata a maior prova desse tipo no país.
Do km 30 em diante, mais especificamente no instante em que se deixa pra trás a cidade universitária, teve inicio a tortuosa via-crucius que durou até o último metro dos 42,2km. Do km 38 em diante, trecho que inclui um túnel, aquela altura, letal para qualquer corredor, é o trecho que destaco para comentar: atravessa-lo, movido pelas últimas sobras de energia que o corpo reserva, sendo necessário um rigoroso controle dos movimentos das passadas e dos membros como um todo, numa espécie de rotação ideal, tal como um automovel exigiria, para que você não se visse abraçado, literalmente, pelas cãimbras, além da sensação de abafamento que o clima seco do meio-dia propiciava, tudo isso junto e somado e temos como rescaldo um feito a ser comemorado: a chegada, ainda que com suas demoradas 3h53min, sem paradas, ainda que nos últimos km em baixa velocidade. Um feito.
1. Parte final do penultimo trecho da Volta à Ilha
Por razão de obras em determinado local de Florianopolis, para que não houvesse nenhum ponto de troca e consequente acúmulo de pessoas nas imediações desse lugar, cerca de 12km de um trecho que seriam comumente dividido entre dois atletas, foram realizados por apenas um na prova de 2009. O trecho em si não trazia nenhuma dificuldade sobressalente, ao contrário, as dificuldades todas haviam sido transpostas nas areias, morros e lamaçais que antecederam-no. Não havia maior motivação entre ultrapassar esse ou aquele corredor, e o instante não propiciava quase nenhuma incidência de ânimo ou coisa do tipo. Por mais distantes que os demais corredores aparecessem no horizonte que se alongava o meu campo de visão na já noite catarinense, a velocidade que imprimia era suficientemente maior e a ultrapassagem ocorria de modo previsivel. Deviam faltar uns 5km pra entrega do bastão e o fim do meu trecho, quando noto pelo som que ecoava no asfalto, e depois pela sombra que a luz dos postes emitia, um corredor as minhas costas aproximando-se rapidamente e enfim, ao invés de continuar realizando ultrapassagens, a sofreria. Nada que importasse, nada que fizesse qualquer diferença, resumindo, não ocorreria NADA. Mas aí, eis o grande delirio da coisa toda, esse vazio todo ruiu e fui inflado dum desejo de superação sem tamanho. E o que ocorreu daquele instante, onde o cidadão se postou a pouco menos de 1 metro de distância de mim, até o desfecho de tudo, com a entrega do bastão e a exaustão sem limites, será algo que não hei de me esquecer. A auto-motivação incessante, proporcionada por um corpo em estado de extâse, inflado pelo quimicos naturais gerados por você próprio e eis o combustivel que me fez voar. Corri como nunca antes e, até então, como nunca mais ousei depois.
Findados os trechos todos, a beira-mar, após a linha de chegada, em meio a confraternizações e felicitações das equipes, entrega de medalhas e coisa do genero, tive a oportunidade de encarar o meu oponente naqueles - pra minha pessoa, históricos para todo o sempre - 5km. A ele, faltava-lhe emoção, não tinha desfrutrado do mesmo delirio, do mesmo “pega” que na minha mente haviamos travado. Cheguei até a cogitar que estava na posse de um espirito de competitividade exacerbado, devido a complacência dele ao me cumprimentar. Esperava uma resposta diferente, um xingamento que fosse, qualquer coisa, menos uma postura tão inerte frente ao emocionante duelo que, na minha cabeça, logicamente, haviamos acabado de realizar. Porém, como não há nada mais individual do que a corrida, a idéia do reconhecimento do adversário batido desapareceu em seguida. O que sobrou – o que sempre sobra quando se trata da idéia de correr - foram as sensações decorrentes tão somente da minha mente.
E deve ser por isso que eu gosto tanto e não raro costumo até superestimar esses instantes, elevando-os a uma condição sagrada. Algo que provavelmente em algum momento eu tenha feito ao longo desse texto.
Domingo, Novembro 08, 2009
Sábado, Outubro 03, 2009
DAS DOENÇAS CONTEMPORÂNEAS
Sexta, às 2:55 da manhã, aguardando um download acabar, para poder sair de casa.
17 minutes remaining diz o Mozilla. Que assim seja.
17 minutes remaining diz o Mozilla. Que assim seja.
Segunda-feira, Setembro 21, 2009
REMÉDIOS PARA TODO MAL
Hoje todo mundo é deprimido. Se você tem uma tristeza, logo aparece alguém para aconselhar a tomar um remedinho para ficar bem, para não ficar ansioso. É a geração do Rivotril. É remédio para regular humor, combater tristeza, emagrecer. Uma vez tomei um emagrecedor e falei: gente, desculpa, mas isso é igual à cocaína. Primeiro, eu fiquei com palpitação no coração e, depois, meio deprimidinha. Fiquei sem fome e excitada e, depois, muito angustiada. Já vi isso antes, só que tinha outro nome: cocaína. Antigamente, todo mundo fazia análise, hoje a psicanálise perdeu para a psiquiatria. Todo mundo tem um psiquiatra, é bipolar, e toda criança é hiperativa. Impressionante. Deve haver outra maneira de resolver nossos problemas que não seja tomando remedinhos, né? Isso eu acho muito sinistro. Marca o nosso tempo.
Fernanda Torres, na Istoé.
Sexta-feira, Setembro 04, 2009
DO MEU RICO HD
Meu sonho, meu sonho mesmo, era encontrar alguém que tivesse sobrevivido a um furacão e não dissesse uma palavra sobre o furacão no diário. Voando pela sala, estendendo os braços para pegar o diário flutuante, o telhado subindo em espiral ao céu, ele escreveria: "Me sentindo meio deprimido hoje. Vou jogar pif-paf."
Soares Silva, de algum canto escuro e empoeirado do disco rígido.
Soares Silva, de algum canto escuro e empoeirado do disco rígido.
Quarta-feira, Agosto 26, 2009
O E(LOGIO)-MAIL DO ANO
From: francesca-romani@******.com
To: leandrorizzi@******.com
Subject: "GALVIN"
Date: Wed, 26 Aug 2009 08:48:39
Quarta-feira, 9:15 da manhã, dia ensolarado e quente na capital. Enquanto os gatinhos tomam um sol gostoso na sala, eu estou no computador e a loirinha está no sofá. Ambas observando os mimis.
Natalia:
- Nossa, o amarelo é lindo. Ele é tão viril. O nome dele tem que ser Galvin. Ou Galvão. Ele é tão másculo. Ele é muito homem.
Francesca:
- HAHAHAHAHAHAHA! Meu deus, e como é que o Galvão não está aqui agora escutando isso????
Natalia:
- Olha a Greta Garbo. Está demonstrando felinamente que o Galvin deve possuí-la. Ela quer que o Galvin a possua. Até o miado do Galvão é mais grave. Ouve! A voz dele é mais forte! Ele é muito másculo.
To: leandrorizzi@******.com
Subject: "GALVIN"
Date: Wed, 26 Aug 2009 08:48:39
Quarta-feira, 9:15 da manhã, dia ensolarado e quente na capital. Enquanto os gatinhos tomam um sol gostoso na sala, eu estou no computador e a loirinha está no sofá. Ambas observando os mimis.
Natalia:
- Nossa, o amarelo é lindo. Ele é tão viril. O nome dele tem que ser Galvin. Ou Galvão. Ele é tão másculo. Ele é muito homem.
Francesca:
- HAHAHAHAHAHAHA! Meu deus, e como é que o Galvão não está aqui agora escutando isso????
Natalia:
- Olha a Greta Garbo. Está demonstrando felinamente que o Galvin deve possuí-la. Ela quer que o Galvin a possua. Até o miado do Galvão é mais grave. Ouve! A voz dele é mais forte! Ele é muito másculo.
Terça-feira, Agosto 25, 2009
SETH
PLAYBOY: So we die, the lights go off, our loved ones put us in a box, and our bodies begin to slowly disintegrate?
MacFARLANE: Right. It sucks. And it does seem like a cruel joke. Although there are people like Hitler, Stalin and Reagan who make you think, Well, maybe it’s for the best.
Como disse Joel Pinheiro, Family Guy é mesmo uma destruição integral de absolutamente todos os valores possíveis, para o bem ou para o mal. Seu criador, o ateu, liberal, democrata e dono de outras tantas desaconselháveis características, Seth McFarlane, foi entrevistado pela Playboy americana e o dialogo merece muito a leitura.
MacFARLANE: Right. It sucks. And it does seem like a cruel joke. Although there are people like Hitler, Stalin and Reagan who make you think, Well, maybe it’s for the best.
Como disse Joel Pinheiro, Family Guy é mesmo uma destruição integral de absolutamente todos os valores possíveis, para o bem ou para o mal. Seu criador, o ateu, liberal, democrata e dono de outras tantas desaconselháveis características, Seth McFarlane, foi entrevistado pela Playboy americana e o dialogo merece muito a leitura.
Domingo, Agosto 09, 2009
OBSCURESCÊNCIA
Julho foi a desgraça em forma de mês, no que tange a flagelos no meu corpo, dessa vez estritamente sob o aspecto FÍSICO da coisa. Lesão, feridas, e a impossibilidade de utilizar a si, conforme a vida te acostumou. Dificuldades impostas: dor e desconforto, tudo somado, e fica difícil deixar de vestir o surrado e sempre a mão, manto da obtusidade e da comiseração. Assim, sucumbir fica fácil e a um só pulo.
Quinta-feira, Julho 30, 2009
EU ESTOU ERRADO
É conhecido o suposto episódio em que Chesterton responde à pergunta que o jornal London Times fez a vários escritores: "O que há de errado com o mundo?". Sua resposta teria sido uma carta com o seguinte conteúdo:
Dear Sirs,
I am.
Sincerely yours,
G. K. Chesterton
Do supra-recomendado post de Julio Lemos.
Dear Sirs,
I am.
Sincerely yours,
G. K. Chesterton
Do supra-recomendado post de Julio Lemos.
Quarta-feira, Julho 29, 2009
DESLUMBRAMENTO SONORO
O ano tem sido tão pródigo em termos musicais que é temeroso por demais afirmar em pleno julho, que este JJ - n° 2 [Sincerely Yours, 2009] será o melhor álbum de 2009. Para o momento basta dizer apenas o que ele é: maravilhoso e brutalmente viciante.
A sensação de ouvir os seus modestíssimos (felizmente apenas em matéria de tamanho) 29 minutos no repeat, seguidas e mais seguidas vezes remete a uma ilusória percepção de que se trata de um álbum com horas de duração. A primeira audição é diferente da segunda e assim por conseguinte, até cansar. As informações sobre o grupo suéco são envoltas em um mistério nada involuntário, e bastante pouco sabe-se acerca deles. Soma-se a isso a dificuldade em conseguir indicar o gênero musical correto e que melhor definiria o som produzido pelo JJ. Uma miscêlanea, uma pluralidade de impressionar.
Uma música em especial, From Africa to Málaga, me fez lembrar - não obstante as sonoridades absolutamente distintas - do épico cd Night Falls Over Kortedala de Jens Lekman, do finzinho de 2007. Desde lá, não topava com um álbum que me remetesse tão firmemente a uma atmosfera de felicidade, na acepção literal do termo, como esse Nº2.
Abrimos aspas para o Obscure Sound, que no seu review diz:
When one combines the lush but ardent vocal performances of JJ with each and every song’s grace and beauty, it results in an album that will undoubtedly receive praise as one of the most accomplished electronic releases of the year.
Aspas também pra Pitchfork:
They’re as naive as they are cynical– or is it the other stupid way around?– and they manage to be pretty, touching, funny, and motivating, in different ways, in all the right places, for nine songs lasting 28 minutes.
Aspas pro e-mail que Ari Jr me envia de terras lusitanas após uma mui singela sugestão para que ele realizasse o download da obra:
Viciante o sonzinho do JJ. Já toquei uma dezena de vezes o álbum.
Nesse mesmo link da Obscure Sound, há um comentário de um leitor que explicita magnificamente bem o FEITIÇO que se acometeu sobre mim. Pedindo licença, parafraseamos o autor:
Can´t stop listening to Nº2, great album!
Um êxtase sonoro, um deslumbramento auditivo como só a (boa) música é capaz de proporcionar.
A sensação de ouvir os seus modestíssimos (felizmente apenas em matéria de tamanho) 29 minutos no repeat, seguidas e mais seguidas vezes remete a uma ilusória percepção de que se trata de um álbum com horas de duração. A primeira audição é diferente da segunda e assim por conseguinte, até cansar. As informações sobre o grupo suéco são envoltas em um mistério nada involuntário, e bastante pouco sabe-se acerca deles. Soma-se a isso a dificuldade em conseguir indicar o gênero musical correto e que melhor definiria o som produzido pelo JJ. Uma miscêlanea, uma pluralidade de impressionar.
Uma música em especial, From Africa to Málaga, me fez lembrar - não obstante as sonoridades absolutamente distintas - do épico cd Night Falls Over Kortedala de Jens Lekman, do finzinho de 2007. Desde lá, não topava com um álbum que me remetesse tão firmemente a uma atmosfera de felicidade, na acepção literal do termo, como esse Nº2.
Abrimos aspas para o Obscure Sound, que no seu review diz:
When one combines the lush but ardent vocal performances of JJ with each and every song’s grace and beauty, it results in an album that will undoubtedly receive praise as one of the most accomplished electronic releases of the year.
Aspas também pra Pitchfork:
They’re as naive as they are cynical– or is it the other stupid way around?– and they manage to be pretty, touching, funny, and motivating, in different ways, in all the right places, for nine songs lasting 28 minutes.
Aspas pro e-mail que Ari Jr me envia de terras lusitanas após uma mui singela sugestão para que ele realizasse o download da obra:
Viciante o sonzinho do JJ. Já toquei uma dezena de vezes o álbum.
Nesse mesmo link da Obscure Sound, há um comentário de um leitor que explicita magnificamente bem o FEITIÇO que se acometeu sobre mim. Pedindo licença, parafraseamos o autor:
Can´t stop listening to Nº2, great album!
Um êxtase sonoro, um deslumbramento auditivo como só a (boa) música é capaz de proporcionar.
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