a thousand ways
sexta-feira, fevereiro 20, 2026
THIS IS THE MOMENT I´VE BEEN WAITING FOR
Years later, I met an anthropologist who had studied kabuki theater in Japan. He told me that members of the audience often shouted out exhortations during a performance. He said he had been in attendance at one event where the guy behind him jumped up from his seat, at an especially dramatic juncture, and exclaimed:
This is the moment I’ve been waiting for.
When I heard him tell that story, I immediately recalled my initiation into jazz at the Lighthouse. That was exactly what I felt around 17 seconds into the performance by the Yusef Lateef Quartet. I honestly wanted to jump up, and tell everybody in the nightclub:
This is the moment I’ve been waiting for.
I knew in that instant that everything in my life had been leading up to this. And I’d been wasting my time with rock and pop and classical music. My destiny was jazz. I should have figured it out before. This music had everything I’d ever wanted in a creative experience: intensity, intelligence, spontaneity, sophistication, interaction, emotional integrity, analytical depths.
quarta-feira, novembro 01, 2023
UM ANO ATRÁS
Imaginava que tinha sido hoje e agora, consultando o calendário, observei que a data correta foi ontem: o aniversário de um ano daquela chuvosa segunda-feira, que reservou a ida a uma consulta médica na cidade de Taquara acompanhando meu pai.
A ocasião que contrasta com o dia pós vitória petista nas eleições deveria por óbvio ser uma data amaldiçoada, no entanto, tornou-se uma das mais marcantes passagens que tive ao lado do Seu Paulo nos 4, quase 5 meses, que ele encarou aquilo que posteriormente eu rotularia como o seu calvário.
Havia deixado Canela com destino a Ivoti no início da noite do domingo, sabendo que o dia seguinte reservaria um novo retorno pelo meio dia imediatamente após a manhã de trabalho em São Leopoldo. Não desconfiava que aquela segunda que iniciaria chuvosa, permaneceria dessa maneira sem um instante de trégua até o seu fim. Um dia marcado pela chuva, a pressa pelo medo do atraso, o trânsito abarrotado, em suma, as dificuldades.
A condição do meu pai sem conseguir se movimentar direito sem um dos seus pés, já traria complicações severas, mas a situação, agravada pela baderna nas estradas devido a revolta com o resultado das urnas, tornou o 31 de outubro de 2022 um dos marcos desses tristes dias em que as engrenagens internas do meu velho foram falhando aos poucos, culminando exatos 16 dias depois na quarta-feira de sua despedida.
Olhando já a distância, sob um verniz que também pode ser tendencioso e induzir ao engano, durante essa segunda-feira, dia que passamos boa parte dele juntos, meu pai já dava mostras do adeus que viria logo adiante. O silêncio demasiado não era nenhuma novidade em se tratando dele, mas algo no olhar, na estranheza dos pensamentos e na memória, mas especialmente na tolerância com o sofrimento. Somente se confrontado admitiria eventual dor, caso contrário, suportava de uma maneira que ainda me foge a compreensão: não como um castigo ou uma injustiça, de certa forma como parte do seu destino.
Hoje, gostaria de repetir aquele mesmo dia, passar por todos os perrengues que ultrapassamos e ao término, já inicio da noite, me despedir dele apertando firme sua mão e o abraçando. Quem sabe mais velho, daqui uns anos, eu entenda melhor esse período. A sucessão dos acontecimentos que o levaram foi tão rápida e a sensação de ter feito muito menos do que deveria é tamanha.
quarta-feira, março 24, 2021
EXTREMA-IMPRENSA
Ou o leitor engole essa conversa, ou então fica desconfiado da imprensa, e prefere se informar pelo zap-zap. Não é de admirar que a imprensa caia em descrédito. Mas os jornais, em vez de reverem a sua conduta, criam a figura da “agência de checagem de fatos”, que sempre vai concluir que tudo o que os opositores do progressismo dizem é fake news, e nada do que os progressistas dizem é fake news. Então não é de admirar que as “agências de checagem” não convençam ninguém fora da bolha progressista, que abarca a maioria da imprensa. Que fazem os jornalistas? Concluem que a plebe precisa de tutela estatal para determinar o que é a Verdade e censurar as fake news. Senão as pessoas votam do jeito que querem, e aí sim é que acaba a democracia.
Como os jornalistas se acostumaram à ideia de “agência de checagem de fatos”? Averiguar fatos é a função mais elementar do jornalismo. Antes das tais agências, existia simplesmente jornalismo, ou então sites especializados em desmentir boatos da internet, como o E-farsas. Desmentir boatos documentados é um propósito modesto e exequível. Mas determinar a verdade dos fatos é um empreendimento de complexidade variável: pode ser uma tarefa para gerações, executada por cientistas e historiadores que debaterão, debaterão e debaterão, sem parecer chegar a um acordo nunca.
segunda-feira, fevereiro 01, 2021
CORROSÃO
Nas próprias Humanidades, surge uma disposição contra a tradição e os great books, em nome de uma visão progressista na qual esses livros manifestariam as forças da opressão. Ainda estudam-se os grandes textos, mas sem um bom motivo para isso.
A tendência corrosiva do pós-modernismo: busca-se criar um conhecimento novo a partir da manifestação da própria superioridade diante dos autores antigos estudados, mas, assim, destroem o próprio objeto de estudo. Tudo o que resta é uma hermenêutica da suspeita e um jargão compreensível apenas para experts.
Trecho retirado de uma excelente resenha de Porque o Liberalismo Fracassou de Patrick Deneen. Ao que parece, a grande obra publicada no Brasil no ano passado e que num futuro por enquanto distante, há de ser lida por esse vivente.
quarta-feira, janeiro 27, 2021
COMO O DESTINO SE IMPÕEM SOBRE NÓS, INDEPENDENTE DA NOSSA VONTADE, E COMO DEVERÍAMOS ESTAR A ALTURA DOS DESAFIOS QUE SE APRESENTAM
sexta-feira, junho 19, 2020
DAS VIRTUDES DA PASSIVIDADE
Rachel Cusch em Esboço
segunda-feira, outubro 07, 2019
POR UMA NOVA DISTRIBUIÇÃO DAS CARTAS
Michel Houellebecq em Serotonina.
quarta-feira, agosto 21, 2019
OYNB*
On special occasions – an anniversary, perhaps, or a birthday – I will eat a mouthful of, say, lemon meringue pie. But only as a rare treat, perhaps five or six times a year. Always in the past, after one of my experiments, I would take up the old habits. But not with sugar. It’s not just the long shadow of possible illness. It’s that – like others I know who have stopped – I feel so much better without it. I like knowing that, if I need to, I can hike all day without eating. I enjoy being free of rampaging hunger. Running in the mornings has become a delight. I prefer feeling more serene, less prone to mood swings or afternoon fatigue. My mind feels clearer. I can’t imagine going back. Life is more savory this way.
*One Year No Beer
segunda-feira, abril 22, 2019
U.S.
O útil, o benefício encontrado em extrair do excesso de angústia o combustível quase que único.
As ocasiões de chuva, de cansaço e suor, de quilometragens antes irrealizáveis, de todos os humores, de quase todos os dias, e a realização de algo que soava distante um bocado das condições possíveis estabelecidas pela realidade. Anterior.
Depois, a incoerência em conquistar algo melhor que o esperado supondo que o esperado era de fato pouco ambicioso demais e acabar não dando o merecido crédito.
O reencontro depois de considerável prazo de tempo. O convívio reafirmando o comum em nós, o exercício de uma das jóias da vida: a amizade.
O sol e as absurdas paisagens, o cão, a solidão, mas também a Glória da Perfeição (sic).
Felizmente houve de tudo.