quinta-feira, julho 26, 2012

S. S.

Soares Silva segue sendo a certeza de uma boa leitura mesmo quando escrevendo numa revista de conteúdo suspeito, desta feita acerca do filme On the Road:


(...)“dirigia um carro como se dirigir fosse uma obra de arte, como se o volante fosse o pincel e a estrada fosse a tela”. Fiquei dias tentando dirigir como se dirigir fosse uma obra de arte. Não dá. Dirigir é só dirigir. Assumi que se tratava de uma paixão gay na qual o menor gesto da pessoa amada é “uma obra de arte”. Kerouac ficou conhecido pelo estilo que chamou de “prosa espontânea”: uma enxurrada não editada de parágrafos. Esse é o ponto em que Truman Capote é sempre citado dizendo que isso “não é literatura, é datilografia”.

Dois, talvez fizesse sentido escrever em 1951 um livro “contestador dos valores da sociedade burguesa”, quando esses valores eram reinantes e, vá lá, opressivos. Mas agora, quando todos os filmes, romances e séries de tevê – todos os estúdios e agências de propaganda – assumem a mesma posição contracultural, o filme perde a força. Qual o sentido de ridicularizar a velhinha coroca que faz o sinal da cruz por qualquer coisa? Ela já não é ridicularizada em todos os outros filmes?

quarta-feira, julho 18, 2012

TRINTA

Meu ingresso na terceira década de vida teve um simbolismo do ponto de vista físico bastante intenso. Em raras ocasiões tive de ser medicado, excetuando-se numa gripe, eventual dor de cabeça, ou problema estomacal, remédios são estrangeiros no meu corpo. No que tange a músculos, articulações, ligamentos e coisas do tipo, possui algumas mazelas nas pernas devidos ao habitual running, algo normal. Faltando 2 dias para o meu aniversário, num exercício mal conduzido para os ombros (ou por outro motivo, é difícil supor), ingressei no mundo das lesões, e só hoje, passados mais de 10 dias, posso me considerar "curado". Na realidade mais torço do que posso assegurar estar em boas condições. Foi um horror, dores lancinantes próximas dos pescoço, envolvendo o trapézio direito e descendo quase a altura do meio das costas, que fizeram com que em seu ápice, no meio duma madrugada, eu levantasse da cama e me dirigisse ao sofá pra assistir algo na tv e fugir daquele mal-estar profundo, a quase impossibilidade de permanecer na horizontal. Vencido, chorei de pura dor como não lembro de em outra ocasião ter feito.
Como eu disse, quase 10 dias depois, ainda tenho enorme receio de realizar qualquer exercício que envolva alteres, repetições e pesos. Corri uns bons quilômetros, mas nada sob a estrutura acima da cintura.
Amanhã, possivelmente, dê cabo desses receios todos. Volte a levar meu estilo tolerável de vida, e para isso, necessariamente estão envolvidos meus habituais exercícios. Me privar deles, algo que repetidas vezes fiz ao longo desses 30 anos, nunca foi uma boa ideia.

sexta-feira, março 23, 2012

DE VOLTA À VOLTA

Tendo recebido um convite maravilhoso de meu colega de corrida da cidade vizinha, em cima da hora demais para que eu dissesse não, dia 14 de abril correrei pela segunda vez a prova que faz a volta na ilha de
Florianópolis.
Exagero a parte, nunca foi tão dificil cumprir meu costumeiro trajeto. Parece que, com uns meses de antecedência, meus 30 anos começam a mandar a conta. Numa contagem regressiva que hoje estabelece a marca de 21 dias, em seguida dou prosseguimento a tentativa de obter aquele minimo de condicionamento físico para ter uma performance digna e honrosa.
Vai dar.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

DAS COCEIRAS DA VOLTA A ATIVA

Um dia após regressar duma extensa jornada pelos Estados conhecidos pelas siglas GO e SC, com uma significativa parte do corpo tingida por um desagradável vermelho adquirido pós exposição incorreta e exagerada a ele, o Astro Rei, decidi que deveria por bem voltar a vida atlética, ao suor, a queima calórica, a endorfina, e a tudo o mais que a corrida proporciona.
Já noitinha com clima mais fresco, foi mais ou menos quando havia cumprido 40% do costumeiro trajeto de subidas e descidas de pouco mais de 7km que uma pequena coceira resolveu aparecer lobo abaixo da região toráxica, de ambos os lados se estendendo até quase o umbigo. Essa, até então, pequena coceira, demorou mais um ou dois quilometros pra cruelmente se manifestar por toda a região frontal do meu corpo, abaixo do pescoço e até a cintura, toda área onde a equivocada exposição ao sol havia deixado marcas, toda ela coçava. Com minhas duas mãos freneticamente tentava aplacar essa coceira terrível que só pode encontrar similar nos meus anos de vida, quando aos 19 anos de idade fui alvo duma tardia manifestação de varicela, a CATAPORA. Noite inteira sem conseguir dormir, devido a impossibilidade de deitar a cabeça no travesseiro. Metade do corpo tomado por bolhas e feridas da infecção.
A impossibilidade de não coçar, melhor, de DEIXAR DE COÇAR acrescido do fato de que o regresso da alergia se dava dentro de menos de 5 segundos após a pele ser intensamente friccionada, e ela, que se manifestou no km 3, tornou-se incontrolável no km 4 e fez com que eu cessasse a corrida numa atitude desesperada a uns 2km de distância de casa, seguiu por mais umas 2 horas, mostrando pequenos indícios de sua existência mesmo momentos antes de eu apagar no sono.
O misto de temperatura em ebulição, suor, pele queimada e toda a quimica restante ocasionada devido a corrida criou um monstro alérgico que mesmo um gelado banho de chuveiro não conseguia remediar.
O primeiro passo para o regresso a um melhor condicionamento físico não podia ter sido mais sofrido e difícil. Já passada uma semana, não tive coragem de correr novamente. Trauma que deve acabar entre amanhã ou depois.
Jesus Cristo, acreditem, que coceira, mas que coceira foi aquela!

sábado, dezembro 31, 2011

VOLTEI

Ou ao menos, em 2012, após esse stand-by sem fim, pretendo voltar a
nesse espaço teclar.
Feliz ano novo a todos nós.

quarta-feira, junho 01, 2011

THE SPECIAL ONE

Cádiz 09 by Leandro Rizzi dos Santos
Cádiz 09, a photo by Leandro Rizzi dos Santos on Flickr.

Enquanto um texto sobre a maratona fatidica e também consagradora não surge, compartilho uma das minhas fotos prediletas. Ao que parece, por mais que eu tenha adiado, antes do término da semana, a tarefa de editar fotos e inseri-las devidamente no flickr estará concluída.

terça-feira, maio 17, 2011

MARATONA DE PORTO ALEGRE

Quase 2 anos depois, no próximo domingo irei percorrer os 42km de uma maratona. O regresso a prova mor do atletismo se dará em Porto Alegre e a possibilidade de conclusão ou não, o tempo que obterei, as possíveis dores durante a prova e as asseguradas dores no pós-prova, e absolutamente tudo o que a norteia são de uma incógnita apenas inferior a primeira vez em que corri essa distância.
Não imagino como o corpo responderá, após tanto tempo sem correr durante o período distante de casa e com apenas 3 meses de prática mais frequente. Às 3 ou 4 corridas por semana - costumeiramente indo mais ou menos vezes dependendo de variados fatores - proporcionou uma condição satisfatória para a conclusão da prova. É o que eu acredito, temendo muito estar em realidade equivocado.
Minha melhor marca pessoal foram as 3h41min no Uruguai e não cogito nada parecido com isso para agora, ainda que reconhecendo que qualquer marca inferior a 4h seria de um sucesso intenso.
Aguardemos pra ver.

quinta-feira, março 31, 2011

FELICIDADE

(...)sempre digo que a "felicidade" não é um lugar a que se chega; nem sequer é um "estado de espírito" que seja possível manter pela eternidade. É, tão somente, aquilo que existe quando não estamos a pensar no assunto.
O que significa que ela é temporária, intermitente e, na maioria das vezes, contingente. Não se procura; encontra-nos. Estar preparado e grato para esse encontro já é um milagre da existência. Exigir mais é, paradoxalmente, uma forma de nos condenarmos à infelicidade. 

Coutinho em meio a sua crônica na Folha fala admiravelmente sobre a felicidade.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

OLÁ

Findada a temporada NAVAL, de volta ao lar pós meses de trabalho ordinário e visitas a numerosos locais do velho mundo, tudo leva a crer que esse blog volte a sua atividade normal, que não é tão ativa assim. Não tanto como alguns anos atrás, onde o ímpeto de opinar/sugerir/criticar ou escrever ao léu era bem maior, mas ainda com fôlego para os dias que seguem em frente.
Com enorme pesar terei de dizer não a minha costumeira lista de melhores albúns do ano, que tanto me agrada elaborar. Listas são bobagens, mas isso não as condena à inutilidade, como diria Sérgio Rodrigues. Esse ano ouvi pouca coisa, não houve tempo ou instantes propícios para isso e minhas visitas a web foram reduzidas e, via de regra, movidas pelo interesse de receber e enviar noticias aqueles que eu quero bem e acessar sites que tem minha estima. Nenhuma possibilidade de acesso aos lançamentos que só agora estou tendo o prazer de baixar.
Em alguns dias começo a postar fotos dessa valiosa empreitada marítima. O blog, enfim, volta a ativa.